terça-feira, 18 de abril de 2017

Quem sabe?

Olho para a tua foto e não sei o que sinto...
Não sei se tenho saudades tuas ou de quem eu era naquele tempo,
Não sei se tenho saudades do teu abraço ou de simplesmente querer um abraço...
Perdi-me no dia em que te perdi, e no meio da luta para me voltar a encontrar deixei fugir a minha essência.
Já não acredito em príncipes encantados, não vejo amores em cada esquina, não sonho com beijos apaixonados, não desejo finais felizes...
Deixei de acreditar que o amor pode tudo, que quando se ama vale sempre a pena, deixei de ter esperança de voltar a subir ao topo do mundo e de acreditar que existe uma outra alma gémea que anda à minha procura.

Deixei de saber sonhar e passei a viver apenas a realidade.

Não haverá outro abraço como o teu, não existirão mais borboletas no meu estômago, não tremo quando mais ninguém me toca e os meus olhos deixaram de vislumbrar silhuetas ao longe.
Perdi-me e nunca mais consegui voltar a encontrar-me, perdi-me de tal forma que às vezes nem eu me reconheço, onde está a miúda que achava que o amor mudava o mundo? Onde está a miúda que insistia que o amor resolvia tudo? Onde está a miúda que mesmo no meio de lágrimas acreditava que o amor acabaria por vencer?
Não sei..
Perdeu-se, algures nesta nossa estrada, cheia de rectas e curvas, subidas e descidas. Numa estrada onde o final feliz nunca chegará para os dois ao mesmo tempo. Talvez porque nos conhecemos no tempo errado, quando eu já sabia amar e tu ainda nem sabias o que era o amor...

Passaram-se tantos anos... Tu continuas ao mesmo, já eu, nunca voltarei a ser a mesma.
E por isso não faço ideia do que tenho saudades, se de ti, se de nós ou se apenas da miúda que eu era antes de ter deixado de acreditar no amor...

Não sei, talvez um dia destes a vida me surpreenda e tudo mude outra vez!

1 comentário:

  1. Encantam-me pequenas, médias ou grandes histórias que contêm a dualidade ou a multiplicidade da vida e que terminam em aberto como a própria vida _ salvo naturalmente os casos em que já não há mais abertura possível, ainda que estes últimos costumem coincidir com (já) não vida _ logo há muita vida nas palavras acima!

    Em suma fica a minha vénia às belas palavras da Armada em "Quem sabe?"

    Lindíssimo

    Parabéns

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